Tempo de mudança

Sou uma rapariga de relações duradouras (pelo menos até aqui). Acho que não sou acomodada, mas certamente gosto de estabilidade e de saber com o que posso contar.

Estive no meu (quase) primeiro emprego durante 12 anos e meio. Estive no meu segundo emprego 6 anos e meio.

Já sabem das minhas "queixas": tempo demais no trabalho que não me deixava tempo de qualidade para o resto da minha vida.
Além disso, depois de ter voltado da licença de maternidade (em Setembro 2014), o facto de ter mudado de funções e de haver muita pressão e stress, também não ajudou à minha satisfação profissional.
Sempre tentei dar o meu melhor, mas obviamente que se uma pessoa não estiver a fazer alguma coisa que o motive e que se sinta realizado, o grau de "compromisso" e satisfação nunca é tão grande.  O que quero dizer é que, apesar dos resultados finais serem bons, eu não gosto de cumprir por cumprir. Gosto/preciso de ter objectivos e metas que me estimulem. 

Só me apetecia dizer a mim própria "get a life!" (para além do trabalho!). Apesar desde aprisionamento físico (e muito mental), eu não podia largar o trabalho e ficar de papo para o ar e viver dos rendimentos (que não tenho!). Chorei algumas vezes (muitas a caminho de casa) e pensava sempre "mas será que não há outra opção?"

Nos últimos 3 anos, apareceram algumas oportunidades, mas nunca se concretizou nada. Sabia aquilo que queria e o que não queria em termos de horários e de organização.
Não andava à cata de nada, mas ao mesmo tempo ia estando atenta às oportunidades.
No final de Julho, tive um contacto com uma boa proposta e de acordo com aquilo que eu precisava e queria. Sabem daquelas coisas boas demais para ser verdade? Fiquei muito entusiasmada, mas ao mesmo tempo não me queria deslumbrar: mais perto de casa, menos horas no trabalho, mais contacto com outras culturas, ordenado decente....e como é que eu não havia de ficar entusiasmada?

A minha rescisão teve um "parto difícil". A chefia não compreendeu as minhas razões e demorou a aceitar, mas depois lá fez o "luto" e os 2 meses de pre aviso correram bem, apesar de muitas vezes me ter sentido pressionada para ficar.

Não sei se a experiência vai ou não dar certo, mas estou muito positiva quanto a isto. Sou daquelas pessoas que acredita que as coisas aparecem na hora certa, mas ao mesmo tempo sei que nos temos de "mexer" para fazer as coisas acontecer.

O primeiro dia corre bem e tive direito a comité de boas vindas e senti-me "bem recebida".
Confesso que não fiquei nervosa, nem ansiosa. Acho que os anos e a experiência nos vão dando "calo" para sermos mais serenos e o facto de ser uma empresa que me é "familiar" ajudou muito na integração.
                                       
"There is nothing wrong with change, if it is in the right direction"

Comentários

  1. Olá Luciana,
    Raramente comento e já te acompanho há bastante tempo, desde o blog antigo!
    Fico muito, muito feliz por ti.
    Atualmente estou com problemas no meu trabalho e com uma grande vontade de me vir embora. Compreendo bem a tua situação. Eu trabalho longe (50 min de ida + 50 min na volta) e tenho dois filhos pequenos (4 anos e 18 meses). Já fui a duas entrevistas para ver se consigo arranjar algo melhor, mas os horários não eram compatíveis (há hora de entrada, mas não há hora de saída). Isto deixa-me muito triste e revoltada! Como é que a sociedade quer evoluir se atualmente é "normal" os pais não terem tempo para os filhos? Se o normal é colocarmos os filhos na cresce/escola desde que abre até que fecha, e muitas vezes ainda vão para os ATL's da vida? Antigamente os nossos pais/avós passavam bem mais tempo com os filhos do que nós. E isto não é bom!
    Acaba-se o contato físico, o falar olho no olho é substituído pelo conversar por telemóvel/ecrãs...
    Como poderemos ser bons pais e bons profissionais simultaneamente, se apenas nos são exigidas que se cumpram prazos e que se façam horas extras, muitas das vezes não renumeradas?
    Na minha opinião não se precisam de horários alargados de cresces/escolas, mas antes de existir mais incentivos para que os pais, ou pelo menos um deles (se assim for a sua opção) que trabalhe em horários decentes, compatíveis com a vida familiar (se uma mãe/pai achar que o melhor era trabalhar 6h ou 7h por dia, para desta dar mais atenção aos filhos, isto deveria ser possível!!!)
    Esta situação revolta-me tanto que muitas vezes também choro a caminho do trabalho!
    Muitas felicidades nesta nova etapa!
    Quem vai ganhar vai ser o Diego! beijinhos para todos :)

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Pois é, eu acho que Portugal tem um longo caminho a percorrer...pelo menos comparativamente aos países nórdicos onde se consegue um equilíbrio entre a vida profissional e a vida pessoal. Em alguns casos particulares há uma falta de respeito tão grande pela vida do colaborador, que nos começamos a sentir "pequeninos" e a pensar que "se calhar não merecemos mais do que aquilo". O problema é que muitas vezes, "ir para casa" não é solução, porque certamente teríamos mais tempo, mas não conseguiríamos meter "comer na mesa" e um problema não pode ser solucionado se ainda criarmos um problema maior.
      Só mudei quando tive a certeza que a empresa para onde ia, sempre que possível respeitava o horário das 8h diárias e não era abusiva. Obviamente que se for necessário ser flexível, o vou ser, mas voltar a trabalhar 260 horas num só mês é que espero nunca mais ter de o fazer.
      Disse ao meu ex- patrão: "o meu filho ainda me pede colo, pede para se deitar um bocadinho ao pé de mim...qualquer dia não quer "saber de mim", por isso, a hora de aproveitar é agora". Apesar de eu detestar usar esta frase, há situações que se adequa à realidade: ele não tem filhos e não pode compreender a frustração que é não acompanhar de perto o crescimento da criança. Eu ainda choro a ver fotos do primeiro ano de infantário do Diego porque penso como é que eu permiti que muitos dias ele ficasse lá quase 11horas, mas na altura senti-me entre a espada a parede e tive de arranjar força para continuar porque não arranjei nada.
      Foram tempos difíceis, mas tenho muita esperança no futuro!

      Eliminar
  2. Luciana!!!

    Nem acredito que vi o teu blog, neste preciso momento, com a maravilhosa novidade que nos contas! Trocamos emails em 2014 relativamente a este assunto precisamente, por eu, nesse mesmo ano, entrar num trabalho que não gostava (e continua tudo igual…). É engraçado que também eu, embora sempre com os pés assentes (já lá vão quase 4 anos que cá estou), vou também estando atenta ao que que vai surgindo… tenho dias de choro e desespero também… dias de descrença… encontrar o teu blog novamente, ver-te escrever novamente, ver esta novidade neste preciso momento é incrível!! No fundo parece-me uma mensagem de esperança do Universo!...

    O teu menino está enorme e lindo! E tu… bem, tu continuas uma guerreira admirável! Tem tudo para correr bem e só é isso que te desejo, o maior sucesso e as maiores Felicidades! Que bom voltar a “ver-te”!
    Beijinhos
    RV

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Olá! Ainda me lembro dos mails :)
      Espero que seja mesmo um sinal de que afinal as coisas podem mudar e que acontecem por razões que às vezes desconhecemos.
      Na prática, acho que temos de estar atentas às oportunidades e saber até que ponto podemos ir.
      Boa sorte :)

      Eliminar
  3. "Quem muda, Deus ajuda", já diziam os antigos.
    Tudo a correr bem neste nova fase!
    Beijinhos grandes

    ResponderEliminar
    Respostas
    1. Isto até me parece meio surreal: escrever posts, retribuir comentários...espero que continue a ser ajudada pelas instâncias superiores. Beijinhos grandes.

      Eliminar
  4. Que bom Luciana!!!!
    Que tudo corra pelo melhor. Fico feliz por ti.
    Beijinhos grandes
    M.P.

    ResponderEliminar
  5. Boa! Vai correr tudo bem:) Beijinhos

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares