domingo, 13 de dezembro de 2015

(Sobre) vivendo.

Este post não é de "queixume" nem de "coitadinha". É apenas a constatação da minha realidade.

Não me considero "estouvada". Durante os últimos anos fui aprendendo a ser comedida com os "investimentos";
Desde que fiquei grávida que inadvertidamente a minha consciência tem vindo a mudar. Isto intensificou-se quando retornei ao trabalho depois da licença de maternidade e pensei numa possível alteração (não concluída com sucesso!). Entretanto, em Fevereiro quando o homem mudou de emprego, eu senti mesmo a realidade de termos viver com menos. 
Quando analisei as contas finais do mês de Junho de 2015, ia tendo uma taquicardia. Não sou obcecada com o controle minucioso dos gastos. Já experimentei várias técnicas e sei o que resulta para mim: pago o mais possível com cartão de débito e o menos possível a dinheiro. Isto vai totalmente contra as "especialistas" de economia doméstica, mas é o que resulta melhor comigo. Chego ao fim o do mês e sei: x para água, para luz, para a creche, para o supermercado e acabo por remoer os neurónios a pensar: "levantei 40€. Onde é que os gastei?" A "cena" dos envelopes também não resulta comigo. Há uma conta para tudo e pronto.

Já fizemos muitos ajustes e sei que uma pessoa pode sempre cortar mais, mas também não quero deixar de "viver". A questão acaba por ser mesmo essa: hoje em dia as pessoas vivem ou sobrevivem?

Coisas onde não tenho gasto nada/pouco:

.Roupa: Se disser que estive mais de um ano sem comprar nada para mim (nem um par de cuecas!) não estou a mentir. Se sinto falta? Sinceramente não. Não é que goste de andar "maltrapilha", mas presentemente entrar numa Zara ou numa Mango é o mesmo que eu entrar num stand de automóveis. Ou seja, não há nenhuma emoção nem nenhum impulso de consumo. Parece que o meu cérebro bloqueou essa parte e não sinto falta;
Em relação a roupa para o Diego, só compro o indispensável e para colmatar carências relativamente ao que me emprestaram. 

.Manicure : depois de 7 anos a fazer unhas de gel, em Abril deste ano resolvi por um ponto final na nossa relação. Sei lá porquê, mas nesse mês o meu organismo não assimilou bem a coisa e caíram algumas. Resolvi experimentar retirar e ver se consegui encarar a vida sem unhas de gel. São 25.00€ por mês que não saem da carteira;

.Cabeleireiro: longe vão os tempos em que eu ia ao cabeleireiro 2 x por semana (à 4ª e ao sábado); Quando mudei de emprego, há 4 anos, deixei de ter horário para ir ao de semana e fiquei-me pelo sábado....Mas o fds é tão curto, que me dá "azia" ter de passar 2 horas de sábado no cabeleireiro. As minhas visitas de agora são esporádicas e quando estou mesmo nas ultimas; Além disso a minha cabeleireira é a mais "baratex" da região. 

.Restaurantes/Saídas: Não deixo de sair "só para não gastar". A realidade é que a minha vida social não é muito activa. Se as minhas amigas ou ex-colegas de trabalho marcam para jantar fora (de uns 4 em 4 meses!), não digo que não; Se alguém me convida para almoçar once in a while, não digo que não. Se há alguma ocasião especial (aniversários) eu não digo que não; ...mas se eu juntar todas estas ocasiões, este ano isso não deve de ter ocorrido nem umas 5 vezes!

Ok. Então, como é que o dinheiro se some e cada vez mais me sobra mês???? 

Gastos efectivos:

. Electricidade: a minha conta da Edp é generosa (especialmente no Inverno). Resumindo: a minha casa é muito fria (mesmo!!!o ano passado chegou aos 8ºC) e para se conseguir estar minimamente confortável os aquecedores tinham de se ligar. Juntando isto à máquina de secar roupa...Ui Ui! Mesmo fazendo uma gestão racional e usufruindo ao máximo do horário mais barato, cada vez que tiro a leitura do contador fico com o "coração nas mãos";  Em Abril de 2015, acabamos por investir em 3 aparelhos de ar condicionado (investimento do ano!), mas não estiveram o tempo suficiente ligados (felizmente) para sabermos se compensa ou não. Este Inverno já foram ligados e será este mês o primeiro de experiência;
Já no verão, a coisa compõe-se e fico animadíssima quando "só" pago 60€ (e não estou a ser irónica). Resta-me dizer que não temos gás em casa - é mesmo tudo electricidade. 

. Água: Há meses em que, mesmo não consumindo água (temos um poço/depósito que tentamos rentabilizar sempre que possível), a conta é fica em 9€/10€. Taxa disto, taxa daquilo, aluguer camuflado e pronto = Roubalheira!

.Telefones/Net/Televisão: mas será que não posso passar sem isto? provavelmente um dia vou ter de passar sem, mas enquanto conseguir reservo-me ao direito de ter este luxo.

.Creche: fazer o quê?? Temos de pagar e pronto.

.Gas/Gasolina: já temos veiculos a GPL. Para quem desconhece, eles pegam a gasolina, por isso, temos de meter sempre um bocadinho. Fico doente quando meto 10€ de gasolina e são 5 segundos de pistola na mão. Confesso que me custaria muito ter de me adaptar a gastar tanto dinheiro em combustível.  

Prestação da Casa: Não me posso queixar. O spread é bom. Os juros estão favoráveis. Já só faltam 157 prestações para terminar. Ahahahahh 

Supermercado: Ó meu Deus! Sei lá como e o "orçamento" nunca chega.
Coisas que já deixei de comprar: massa integral, arroz integral (porque só gosto do Uncle Ben´s e é muito caro), frutos secos naturais. Mas não achas que poderão ser melhores para ti? Acho!...mas o preço não é compatível com a minha carteira neste momento.
Por um lado não posso "alimentar" a família toda com estas variedades de produtos. Por outro lado, fico com um peso na consciência de gastar dinheiro nisso;
Quando há alguma promoção bombástica, aproveito. 
.Coisas que não compro de todo: refrigerantes, batatas fritas, bolos, guloseimas, óleo. Eu confesso que sou daquelo tipo de pessoas irritantes que olha para os carinhos de supermercado das outras #voyerismo #quemnunca. Não é por mal, nem me meto a dar bitaites, mas não posso deixar de pensar que há pessoas que se alimentam mesmo a coca cola, batatas fritas e bolos; 
.Promoções: não sou de andar a correr todas as capelinhas só porque o iogurte é 0.02€ mais barato. Tento equilibrar as coisas. Se há alguma promoção, por exemplo, de fraldas e estão efectivamente a bom preço, posso ir a esse supermercado de propósito e trago em grande escala. 
Há algumas coisas que eu compro de "marca" porque realmente acho que são superiores e o preço/beneficio acabam por compensar = detergente da louça manual : acho que o Fairy me rende muito mais do que 2 embalagens de outro mais barato; Por outro lado, há muitas coisas das "marcas da casa" que consumo;
Frutas e frescos: opto maioritariamente pela fruta da época - agora estamos virados para o melão, depois passamos para os pêssegos, maças...Tentei dar a provar ao Diego um bocadinho de tudo, mas as quantidades que comprei foram mesmo só para ele e nunca em grande quantidade; 
Outras considerações: não sou (já fui!) de comprar por impulso e raramente que arrependo do que trago. 
Mesmo com esta ginástica toda, fico sempre assustada com cada ida ao supermercado;   

Gastos diversos: Depois das despesas fixas mensais, ainda temos aquelas que são "obrigatórias" mas que são pontuais: 
Seguros: obrigatórios por causa do empréstimo à habitação - de vida e da casa. Pagamos anualmente porque fica mais barato;  Também pagamos anualmente os seguros dos carros, para além do IUC e das inspecções
Pediatra: até conseguir "suportar" e ele ser mais velhinho iremos à Pediatra. Felizmente nunca teve nada de grave (aleluia!), mas é sempre um conforto termos alguém a quem recorrer para os casos pontuais. Já precisei em 3 ou 4 situações e as respostas e resoluções foram certeiras. 
Farmácia : sem comentários. Só vou lá quando preciso mesmo. Há meses que não ponho lá os pés, há meses que não me tiro de lá.


Relendo o post parece que: estou uma forreta de primeira (quase quase verdade) e que deixei de viver (mentira!); A minha questão é que, mesmo tentando reduzir o custo de vida é muito difícil fazer com que chegue para tudo e eu só me pergunto como é que algumas famílias de 4 pessoas conseguem viver com dois ordenados mínimos?
De qualquer forma, tenho consciência de que uma mudança de emprego também significa uma alteração dos rendimentos familiares, mas se isso acontecer, já me sinto "meia" preparada para isso.

Se por aí tiverem mais alguma sugestão de economia/melhoria, podem compartilhar!

13 comentários:

  1. Leste-me os pensamentos. Ontem tive a minha epifania de 'não vamos conseguir ter três filhos a ganhar isto Pê, já dois vai ser difícil, blá blá blá'. Na verdade também não gastamos propriamente muito dinheiro, mas noto que ultimamente gastamos mais no supermercado. Além disso este mês também nos entusiasmámos demasiado com as compras de Natal... Mas bem, acho que já fazes imensas coisas e não me ocorre nenhuma dica :/

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    1. Jo,
      believe me, os primeiros meses serão mais pesados: fraldas, eventualmente leites, vacinas,
      e se há alguma situação de cocós ou vómitos, compramos tudo e mais alguma coisa para tentar resolver a situação. Depois as coisas vão "normalizando", mas é sempre mais uma "boca a comer". No entanto, "eles" são a recompensa por si só, e é tão bom :)

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  2. Não tenho conselhos a dar te. Ha mais de um ano que não falo orçamento, antes tinha tudo em Excel. Não compro roupa para mim por não precisar e relativamente ao Baby D compro consoante necessidade. E a verdade é que cada pessoa tem as suas prioridades. Beijinhos e boas festas Lu e para o Di.

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    1. Oi.
      Então vêm passar o natal e as "festas" a Portugal? Parece que é uma época que apetece tanto estar com a familia (felizmente:)).
      Beijinhos

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  3. Eu por acaso dou-me muito bem com o sistema de envelopes, é mesmo uma questão de hábito. Roupa: já não compro há imenso tempo e precisava de renovar umas quantas coisas, mas estou como dizes, não me entusiasma ir às compras, muito pelo contrário, irrita-me solenemente e parece que não gosto de nada hoje em dia. Realmente o supermercado leva uma grande fatia do orçamento, mas eu agora faço assim: vou 2 vezes por semana, uma ao Pingo Doce (os produtos de marca branca são muito bons e como não tem muita variedade acabo por não trazer quase extras nenhuns, além de que as promoções são jeitosas) e outra ao Jumbo (para comprar algumas coisas que não consigo achar no PD). Desde que deixei de ir ao Continente, notei que gasto um pedaço menos. Curiosamente, não gosto de ir ao Lidl... Beijo

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    1. Olá. O melhor sistema é mesmo aquele que resulta connosco, seja na dieta, seja na organização da carteira :)
      Eu também acho que o PD tem bastante qualidade na marca branca, mas não tenho nenhum "à mão". Fica a cerca de 12km, por isso, não é o supermercado de sempre.
      Eu também acho que o Continente só é bom se realmente fizermos bem as contas. Normalmente os preços base são mais caros e mesmo com desconto, há coisas que não compensam.
      Gosto muito do Lidl cá da terra. Acho que é aconchegante, bem organizado e os preços são em conta, mas curiosamente há outros lidls em que não me entendo :) Gajas! :)
      Beijinhos

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  4. Luciana, revejo-me tanto nestas palavras!
    No meu caso, estou há poucos meses sem trabalhar... incompatibilidade de ser mãe, com a responsabilidade do cargo, diferenças na saúde... enfim... coisas da vida! Não é fácil gerir uma casa, não é.. de todo.. neste momento adiei alguns sonhos. Defini prioridades e lá vamos indo... beijinhos para vocês

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    1. Olá.
      Boa sorte para vocês :) sim...há que definir prioridades e tentar ser feliz!

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  5. Olá boa tarde.
    Em muitas coisas me revejo aqui. Moro sozinha com uma filha de 14 anos e o dinheiro não estica. temos de fazer opções dentro do possivel para conseguir levar a vida de cara lavada e nariz para a frente. Gostei muito desta postagem.
    Um resto de bom dia
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  6. Ter um filho implica imensos ajustes, todos os orçamentos levam um abanam, e nem é que eles precisem de tantas coisas assim, mas acabamos sempre por ter gastos extra. No início confesso que me excedi mais, agora sou mais contida e há coisas que nunca compraria numa próxima gravidez. Como andam? Sinto falta de notícias vossas. Beijinhos*

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  7. Quando saí de casa pensei muito na questão da tv / internet etc. E sobrevivo só com 4 canais sem problema nenhum! Se estiver em casa vejo os filmes que passam na rtp1 à tarde ou Sábado à noite, passei a ler mais e em vez disso preferi inscrever-me num ginásio porque assim é como um compromisso comigo mesma - na rua não consigo, já tentei, mas não é a mesma coisa (passo ainda menos tempo em casa!). :) Acedo à net no telemóvel porque vem incluida no tarifário e aproveito a hora de almoço no trabalho ou as pausas para ver alguma coisa que queira.

    :) De supermercados gosto muito do Mini Preço, acho q marca branca deles muito boa, já para os frescos gosto mais do Pingo Doce ou do Mercado!

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  8. Ola Luciana como tens andado? Saudades de te ler. Estava a pensar que daqui a um mês o Di já vai fazer 2 anos! Um beijinho grande

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