sexta-feira, 2 de maio de 2014

Porque não é tudo como idealizamos...Amamentação

Post grande sobre mamas! mas é daquelas coisas que não quero esquecer e espero ajudar quem passar por uma situação semelhante...porque a sociedade continua preconceituosa e achar que as mães são menos mães se não amamentam, mesmo que isso não seja uma decisão por vontade própria.
Como já disse algumas vezes, os meus relatos são pessoais e baseados na minha experiência. Não estou para dizer o que é certo ou errado. Cada qual sabe das suas escolhas.
Ah...e ao contrário do que possa parecer, não é patrocinado pela Medela - é mesmo publicidade gratuita! 

Ficamos grávidas e temos algumas coisas que tomamos quase como certas e garantidas. O bebé vai ser moreno e com os olhos castanhos, vou ter um parto normal, vou amamentar até ele querer...
Acabou por ser tudo verdade, mas a minha ideia de "até ele querer" não era 14 dias - estava  apensar mais em 5/6 meses!
Por outro lado, apesar de automaticamente a minha cabeça pensar nestas coisas, sempre disse que teria de ter o espírito aberto para eventuais contrariedades e desígnios da natureza.

Por sugestão da amiga P., comecei a meter creme nos mamilos 1 mês antes do parto - dizem que não influência, mas não me custava nada tentar e mal não fazia. 
Creme Purelan 100 da Medela - para cuidar dos mamilos

Nas primeiras horas de vida do D., vir para a minha mama não lhe muito natural. Queria era dormir e não procurava o peito, mesmo que estivesse debaixo do seu nariz. Fazia duas puxadas (literalmente) e desistia logo...,mas eu não. Como era dorminhoco, se não fosse acordado, passava facilmente 5 horas sem comer. Se o acordássemos à força, acaba por ficar essas mesmas 5 horas sem comer porque 2 delas eram de guerra para me pegar nos mamilos. 
Na primeira noite, tivemos a Enfermeira Fabiana de volta de nós - mesmo a noite inteira! Aprendi algumas técnicas e truques, mas ele adormecia na mama por mais "malicos" que eu lhe fizesse - beliscões no pé, despi-lo, tudo o que o fizesse voltar ao activo.
Os meus mamilos eram pouco salientes. Tiveram de ser "feitos" com uma seringa. Para quem não sabe: corta-se uma seringa e faz-se vácuo nos mamilos para os puxar. Não é uma dor intensa, mas é um incomodozinho, já que os mamilos estavam muito sensíveis por causa das tentativas de pega. 
Os dias foram mais fáceis que as noites, mas mesmo assim, a Enfermeira Renata teve cuidados redobrados conosco.
A noite seguinte...foi a Enfermeira Tatiana que o teve de acalmar, dar colinho...já que ele se fartava das nossas tentativas de pega e eu não me conseguia sentar. Passado isso, foi o Enfermeiro Pedro que nos auxiliou.
O D. nasceu com 3.570Kg e na saída do Hospital, vinha com 3.235Kg - menos 335gr - o que o colocou na "borderline" com uma descida de 9.38%, quando o máximo recomendado será 10%. Nada de preocupante se isso fosse o significado do inicio da recuperação de peso.
 O estaminé no Hospital
O kit "peitoral": 
.A seringa para fazer os bicos;
.O creme de protecção;
.As conchas de amamentação.

Mas qual era a relação dele com a mama?
Ele sabia que aquilo o alimentava e quando não estava muito nervoso, conseguia pegar bem e mamava. Eu sei que não produzia em excesso, mas sim o suficiente. Nunca senti muito "a subida do leite". Uma das minhas colegas de quarto (por umas horas), tinha os peitos com o triplo do tamanho e o leite escorria como uma torneira. A sua produção tinha começado umas 2 semanas antes de ter dado à luz. Pois! nunca padeci disso e o tamanho do meu peito manteve-se mais ou menos o mesmo que na gravidez. Só "incha" mais um bocadinho quando está cheio, mas não posso dizer sequer "que me pese".
A questão era que, quando ele pegava, ao fim de 20 minutos (alguns a mamar, outros a dormir e a descansar) ficava cansado de lá estar e despegava, cerrando a boca. Pensava eu que, se ele não queria mais, seria porque estava satisfeito. Agora consigo ver que não.

Passados dois dias (21.04.2014), fomos pesa-lo no Centro de Saúde = 3.170Kg. A diferença poderia ser da balança, mas a Enfermeira pediu que voltássemos no dia 23 para um peso intercalar = 3.110Kg. Mau, mau, Maria! Num corpinho de 3.570kg, perder 460gr em 7 dias é muito! eu não o queria ver perder mais peso e a Enfermeira recomendou que lhe oferecesse um bocadinho de suplemento após cada mamada. Concordei. Se ele já estava a mamar "até querer", as vezes que queria, ainda com oferta de mais mama, quando achava que já tinha passado mais tempo que o "normal", mas a balança só descia... não dependia de mim. Se (os "ses" da vida) ele não estivesse a perder (já nem falo em ganhar, mas sim em não perder mais), teria continuado no mesmo esquema por mais dias. Estando ele a ficar cada vez mais fraco e com risco de desidratação, ir parar ao hospital não era coisa que quisesse.
Esta já é a embalagem de 800gr. Ver quanto tempo dura...

Optei pelos biberões "Calma" da Medela, que supostamente, são mais parecidos com a mama da mãe e dão mais "luta" na saída do leite, sendo possível combinar o biberão com a mama - e há muita gente que o consegue fazer. 
"Calma" da Medela
 Tralha pronta para ser esterilizada.

Fui oferecendo os 30ml depois das mamadas. De umas vezes deixava metade de lado, e de outras, mamava 30ml e mais 30ml. Penso que dependeria de como a mamada na minha mama lhe tinha corrido.

Voltamos ao Centro de Saúde, passados 5 dias (28.04.2014) e já estava em recuperação = 3.240kg - mais 130gr, o que faria uma média de 26gr/dia. Continuamos nisto de mama e suplemento por mais 1 dia e meio.
De qualquer dos modos, desde o inicio (o seu nascimento!) a hora da mamada não era "pacifica": tinha vezes de estar 40 minutos no pega/não pega. Tentámos várias posições de pega, vários métodos de auxilio, várias divisões da casa, mais despido, menos despido, mais quente, menos quente...Os meus mamilos ficaram em sangue, apesar de eu usar sempre creme após cada mamada assim como passar com o leite e deixar secar e usar sempre as conchas (abençoadas!) já que nada me podia tocar tal era a sensibilidade. Com a formação de uma "postela" por causa do sangue, ainda era mais difícil a pega e doía-me muito, especialmente do peito direito. "Obriguei" mais o peito esquerdo durante algumas mamadas e obviamente que o direito encheu até encaroçar todo. Esvaziei com a máquina/bomba da Medela - Swing. 1h05 a tirar leite e saíram 50ml. Mas a quantidade até tem melhorado. Entre os dois peitos, consigo tirar até 120ml.
 Swing - da Medela

 Leitinho materno - umas vezes sai mais, outras sai menos.

A máquina é bastante boa: tem um primeiro período que simula e sucção e depois passa para a extração com intensidades variáveis. Cheguei mesmo a estar com ele a mamar de um lado e a retirar leite da outra mama com a máquina (logística um bocadinho complicada, mas executável) - para estimular a produção.   

No dia 30.04.2014 a partir da meia noite, o D. deixou de querer pegar na mama. Deve de ter pensado: "faço hoje 2 semanas - agora sou crescido e já não preciso mais!"
Depois de horas de berraria e de rejeição completa da mama, dei-lhe tudo no biberão. Na próxima mamada das 4h30 da manhã, o filme foi o mesmo. Continuarmos nesta situação, não era opção, nem para ele nem para mim. No peso, nessa manhã, tinha 3.280kg e já só tinha aumentado 20gr/dia. Com tanta "guerra" é natural que tenha perdido mais energia! Uma mulher rejeitada é complicado. Uma mãe a sentir-se ainda mais rejeitada é bem pior!
Nessa tarde, tivemos consulta na Pediatra e só consegui ouvir 10% das explicações e perguntas, já que ele fez um berreiro descomunal...com fome. Tinha dado 60 ml do meu leite (tirado com a bomba) na sala de espera do consultório, mas não foi suficiente. Como já ia preparada para a eventualidade, mesmo durante a consulta, preparei e dei-lhe mais 30ml de suplemente e só a partir disso, é que ele acalmou.

Continuei sempre a oferecer "maminhas", mas ele mandava-me à fava.. Tirava com a bomba o que conseguia e o resto passou a ser com suplemento. 

A partir do dia 30 à noite, ele começou a mamar no biberão - com intervalo de 3/4 horas = entre 90ml e 120ml. O mal do meu menino era mesmo FOME.
A minha mama nunca foi assim tão produtiva. Provavelmente tenho poucos alvéolos, o que quer dizer que ele teria de mamar durante bem mais de que os seus 20 minutos em cada mama, para conseguir retirar a quantidade suficiente de que precisava...mas o problema é que ele não queria. Além disso, numa mamada, o primeiro leite é mais aguado e menos "potente". Como ele não "chegava ao fim", nunca recebia o melhor do leitinho  - com mais gordura e vitaminas.

Se durante estes 14 dias chorei? Verti algumas lágrimas de tristeza - não o posso negar. Estamos numa situação mais fragilizada e vê-lo perder peso e numa aflição tão grande, sem saber o que mais podemos fazer, corta o coração de qualquer mãe.
No entanto, mesmo quando ele rejeitava a mama, mantive-me tranquila, fui paciente e não fiquei ansiosa. Para stressado, bastava o meu fillho! Dois stressados de certeza que não ajudariam muito.

Trabalhamos bastante para que ele fosse alimentado pelo meu peito. Fiz as escolhas alimentares que considerei melhor para ele - pensava duas vezes antes de comer alguma coisa que eventualmente lhe fizesse cólicas, ingeria bastantes líquidos, continuei a tomar o Iodo, DHA Materna, para passar as coisas boas para ele. Suportei dores físicas e psicológicas que só se suportam "bem", porque são feitas com muito amor.
Em termos de qualidade e de protecção contra "o mundo externo", o leite materno é o melhor para o bebé, mas quando esses benefícios são suplantados pelo comprometimento da saúde do bebé, há decisões que têm de ser tomadas.
Estou de consciência absolutamente tranquila de que fiz tudo ao meu alcance para que ele fosse amamentado exclusivamente com o leite materno. A outra parte interessada (AKA pai da criança) foi testemunha deste processo e apoiou-me no sentido de fazermos o melhor no supremo interesse do bebé.

As pessoas de fora vão sempre "mandar os seus bitaites": porque elas é que sabem, porque não devia estar a fazer as coisas como deve de ser, porque se fossem elas isto e aquilo...Podem ir pregar para outra freguesia que de mim só vão levar um olhar furibundo, porque em relação a ouvir, entra a 100 e sai a 1000!

Eu fui alimentada com a mama da minha mãe durante 10 dias e depois passei para o biberão. Fiz-me uma "mulher" e nunca fui uma criança "doente". As primeiras análises que fiz na vida foram aos 20 anos! (porque nunca houve necessidade de as fazer antes); A minha irmã só amamentou a Nina até ao mês e ela é uma menina toda saudável e com energia para dar e vender. Talvez por ter enfrentado uma situação similar, fiquei mais alertada para a situação e mais protegida contra as intromissões alheias.

A mim, só me resta ir estimulando a produção do leite e retirando o máximo que conseguir com a bomba, mas tenho certeza de que não vai durar muito tempo...afinal um bebé a estimular, não é o mesmo que uma máquina a puxar e eventualmente vai secar.

Conclusão: por mais minuciosas que sejamos, preservantes, obstinadas...nem tudo é como idealizamos. A vida pode sempre troca-nos as voltas.
Ahhh...e já expliquei ao D. que, em vez de ir conhecer a Disney aos 6 anos, só pode ir aos 8, já que o leitinho da mãe era grátis e podíamos poupar algum, mas que o Aptamil custa dinheiro. (joking!)
...por mais literatura que tenhamos engolido e cursos feitos, só conseguimos sentir qual a decisão acertada, quando "passamos por elas". 

Quando me perguntarem: "Mama bem?", seguramente que vou responder: "do melhor!". E não deixa de ser verdade...só que é no biberão.
...e no final, o bem estar dos nossos filhos é o mais importante.

7 comentários:

  1. Luciana, quando dizes "e no final, o bem estar dos nossos filhos é o mais importante" tens absoluta razão!
    Eu também tenho esse arsenal todo da Medela, a minha princesa agora com 1 ano, em recém nascida também adormecia constantemente à mama e como não recuperou o peso que devia no tempo suposto, ao fim de uma semana também fazia biberões de suplementos. Recuperou peso e aos 2 meses de idade simplesmente deixou de tomar o suplemento, eu ainda insisti uns dias com ela, para ver se ela tomava, mas nunca mais tomou. A partir dessa altura o meu leitinho passou a ser suficiente.
    Por indicação da enfermeira, tomei PROMIL e também retirava leite com a bomba. No meu caso deu resultado, a produção de leite aumentou, e como já referi, aos 2 meses ela não quis mais biberões de suplementos. Foi só maminha até à introdução de sólidos, sempre com o peso dentro do percentil 50.
    Não é fácil para mães de primeira viagem, verem logo nos primeiros dias, que os seus bebés não recuperam o peso como era suposto. É preciso muita, muita paciência e flexibilidade para, se necessário traçar outro caminho, daquele que tínhamos previsto inicialmente!
    Boa sorte e tudo de bom para vocês os 3!
    Ângela

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  2. O importante é o bem estar do pequeno D. A filha de uma grande amiga minha também nunca quis mamar e bebe leite desde pequenina. Não foi opção da minha amiga não amamentar, mas foi o que teve de acontecer. Beijinhos e força Lulu

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  3. Eu de inicio também me via à nora com a Bia, não por ter pouco leite, mas por ela demorar mais de 1 hora a mamar porque adormecia. Depois lá entramos no ritmo e ela mamou até ter 1 ano.
    Acho que tomaste a melhor decisão. No fundo o mais importante é o bem estar dele e o teu também claro. O colinho a dar de mamar seja na mama ou no biberão deve ser um momento de criar laços e calmo, não deve ser minado pelos nervos e o stress. Beijo

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  4. Fizeste o que podias e tomaste a decisão que achavas melhor para o teu filho, isso SIM, é ser Mãe.
    Beijinhos grandes e que o D. continue a crescer saudável e feliz!

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  5. E isso mesmo Luciana o teu menino mama muito bem. Todas as mamas tem o desejo de amamentar mas quando isso não é possível temos de passar a outra coisa. Ninguém tem de mandar bitaites de nada, acontece com muitos bebes e todos nós nos criamos. O teu bebé vai ser um grande rapagao espero que o teu peito esteja a sarar bem. Também tenho algumas coisas da medela parece ser uma boa opção. Beijinhos para ti e para o teu D.

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  6. Tive necessidade de voltar a ler este post. Ainda bem que o escreveste!!

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